quarta-feira, 4 de maio de 2016

Constatação

Não escolhi ser desse jeito. E ter consciência do meu existir torto me enlouquece. Às vezes a ignorânia à realidade é confortante. Para os inconformados de plantão, como eu, não há nada mais torturante do que a realidade do ócio.
"Não nasci pra isso, não nasci pra isso, não nasci pra isso", repetia. Uma alma livre em um corpo cansado. Uma espírito cheio de inspiração preso em uma gaiola de julgamentos. Uma revolução, presa no arcaico. Um grito abafado. Não é fácil ver seus erros tão translúcidos e refletivos. Quando o outro sofre, temos sempre um torniquete pra oferecer. Mas quando em si, nos perdemos em nossa confusão mental cheia de sentimentos misturados e não sabemos onde foi parar o declame motivacional que proclamamos anteontem num daqueles textões que  enviamos.
Fechar os olhos é mais fácil mas já não é o suficiente. Sabemos a receita da dieta, o nome do curso, o valor daquele violão,  onde é a academia, onde é a livraria, a loja de roupas, o telefone dele; E mesmo assim, passamos na frente da loja, da academia, da livraria, do violão, falamos com ele no chat e sem saber bem o que dizer, enchemos a cara de chocolate.
Acontece que o remédio é solucionar. Castigamos nosso corpo e nossa mente, achando estar amortecendo a queda dos nossos desejos mais profundos, mas no fundo sabemos que é só um placebo inútil.
 Quisera eu ser livre dos meus anseios em agradar sempre, me libertar da tentação de querer ser singular.  E como ultrapassar o limite do cansaço? A força de vontade vem só do querer? E onde está a chave para sair dessa minha caixa de pandora?
As grades são utópicas, o poder da mente e corpo estão em nossas mãos, a vida é uma só. O que estamos esperando?

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