quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Chega!

Tem uma hora que você pensa "já deu". Já chorei, já sofri, já desesperei, já desabafei, já tirei uns dias pra respirar, pra não fazer nada, pra curtir a fossa, comer um pote de sorvete, já tentei preencher o vazio - não rolou. Já não quero nada disso.
Me falta sono, me falta fome, me sobra stress, me emaranha a cama o dia todo. E nem a tristeza que sempre foi amiga é uma boa companhia agora.
Eu já não quero ser assim, eu já não caibo nessa versão de mim. Penso que talvez minha fortaleza tenha se esvaído, já que antes bastava um show de destempero pra voltar a ser forte e encarar. Agora tenho me recolhido, juntado todos os caquinhos quase que com manual de instruções.
Me sinto madura em plena desgracera mental. Estou há anos procurando um propósito profissional sem me  dar conta  de que jamais o encontraria se já nem mesmo sei quem sou. E quase aos 24, essa já não tem sido uma missão simples. A gente tem a ilusão quando é mais novo que com 25 já vai estar bem sucedido, com planos acertados até os 30, carreira à todo vapor, dinheiro na conta, criando a decoração do novo apartamento, pensando no casamento com o amor da sua vida, planejando ter filhos daqui uns anos, não antes de curtir as férias na Califórnia ano que vem.
Ah, vida! Sua louca! Me pregou uma peça mais uma vez. Eu não tenho certeza nem sobre o cronograma do meu dia de amanhã e mais perdida que eu, só duas de mim. E mais uma vez, não é fácil.
E mais uma vez um recomeço. Daqueles que você não esperava tão cedo, não desse jeito. Corro me autoanalisar, curar a alma, focar na vida saudável, tentar ser positiva. Mas na real, amigo, é tudo mentira.
Postergo dia após dia uma iniciativa que eu não tomei, não estou tomando e tenho total consciência de estar evitando. Pareço estar me sabotando ou coisa assim. Mas na verdade mesmo, acho que estou me protegendo. Se eu não tento, eu não falho. Se eu não assumo a responsabilidade,  não fracasso. Tudo é medo de me decepcionar mais uma vez. Medo de achar que "agora vai" e não ir pra lugar nenhum.
Não é a primeira vez que me sinto perdida no meu propósito de vida, mesmo sabendo que será, se Deus permitir que eu viva pra realizar, algo brilhante. Não sei como essa certeza ainda sobrevive em mim, talvez seja o que não me faz eu me render. O fato é que quando estamos tão vulneráveis, é difícil se olhar no espelho, olhar pra si.
O que eu quero? O que eu sou? O que eu sonho? Onde está a oportunidade?
Como essas perguntas se tornaram tão assustadoras pra mim? Por que é tão difícil saber as respostas? Não seriam estas as perguntas mais naturalmente responsivas que existe?
Um tempo atrás achava que sonhos não se realizavam pra qualquer um e de repente me vi viajando o mundo. Mas depois que o sonho virou realidade, não vieram outros.
Penso constantemente que estou sendo ingrata e olhando "o copo meio vazio" sabendo que tenho coisas e pessoas maravilhosas ao meu redor. Mas acontece que a ansiedade é um bichinho que vai comendo pelas beiradas. Quando nos damos conta, fazemos de um único problema o motivo de tudo desandar. Afeta a saúde, afeta o humor.
A sensação é de estar numa escada em espiral. Quando olho pra cima, vejo quantos degraus ainda faltam pra subir e quão acima de mim eles estão.
Será que todo mundo se sente assim ou isso é só "privilégio" dos que sentem demais?
Já não posso e não quero jogar tudo pro alto e fugir pro outro lado do oceano. Eu quero ficar. Eu quero resolver. Eu quero a satisfação da autorrealização. Da aceitação interior. Do orgulho pelo dever cumprido. Da felicidade de ter um perrenguinho ou outro, mas ver a vida girar. Não quero adiar mais nada.
Muitas vezes nosso ego nos cega e usamos o "tudo tem seu tempo" pra não assumir a responsablidade quando o inconsciente grita por atitude. Eu sinto isso, eu abraço isso. Eu quero estar pronta!
Aí eu te digo: me dei conta de que eu precisava sentir esse temporal balançando a casa. E me dar conta de tudo que que ainda falta em mim e ver quão longe é a estrada, é o que eu preciso pra vida seguir em paz.
Eu prefiro acreditar que o que não é tão bom, acontece pra melhorar cada pequena falha em nós. E vou seguir assim.
Então eu digo pra você e pra mim: Faça uma faxina  nos seus sentimentos, jogue fora o que não acrescenta, o que é de ruim, grave bem em sua memória o que foi ruim pra nunca mais deixar se repetir, pra te dar forças. A vida é uma benção que eu não estou disposta a ver escorrer pelas mãos. Não mais. Não esteja também. Se nem a tristeza parece  pertencer à você significa que é hora de arrumar os espaços, abrir a janela e deixar a luz entrar.
Se pergunte, se entenda, se aceite, faça algo por você. Eu vou tentar fazer também!

Gratidão.

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