domingo, 23 de setembro de 2018

Amarre seu cadarço

"Você nunca diz "sim" para nada".

Sábado, 3h38,o último das minhas primeiras férias como trabalhadora real oficial de carteira assinada. Poderia estar bebendo mas estou me embriagando das palavras acima citadas no livro da Shonda Rhimes, "O ano em que eu disse "sim"".
Eu digo sim até demais. Eu sinto prazer em ser útil, prazer em ser parceira e participar dos momentos importantes das pessoas com quem eu me importo. Sou o verdadeiro "pau pra toda obra", "quer o mundo? Eu te dou.", quase trouxa.
Mas a verdade no fim das contas, é que eu digo não para mim, todos os dias da minha vida.
Não - para me sentir bem com meu corpo.
Não - para aceitar ofertas de emprego.
Não - para ir atrás dos meus sonhos.
Não - para encarar a ansiedade.
Não - para me tornar uma pessoa melhor.
Não - para desafogar o mar de lama movediça que eu me joguei.

Não. Como se eu tivesse com o sapato desamarrado há 5 quarteirões e o motivo pelo qual não amarro é porquê eu tenho preguiça. Não me importo se está me incomodando, se riem de mim, se eu posso cair e me machucar. Talvez ele desamarre de novo, por quê não esperar até chegar em casa? Assim posso tirá-los ao invés de "consertá-los".
Como os meus problemas. Hoje, adulta, formada, morando na capital, trabalhando 12h por dia, eu sei dos meus pontos fortes e fracos como ninguém. Mas tapo os meus olhos como se preferisse desistir de tudo do que arrumar minha confusão mental. Eu faço isso. Eu vou embora, eu piro, eu jogo fora, eu não olho pra trás, se tornou um hábito.
Isso só piora quando eu me adapto feito camaleoa, amargurando o sentimento  por dentro e a bomba explode sempre anos depois. A coisa toda está sempre no coração e na mente.
Eu não sou infeliz mas tudo não está melhor porque eu passei de rebelde sem causa da adolescência para uma medrosa responsável feito uma velha ranzinza. O mundo tá acabando e eu tô só observando. Por anos desejei ser brilhante como minha mãe, inteligente como meu ex-namorado, ter piadas rápidas e prontas como meus melhores amigos, bonita como minha amiga de infância.
Quem sou eu?
Acho que quando a gente se alcança a ponto de responder essa pergunta, escorre pelos dedos. Nos deixamos escapar quando já mudamos de novo e de novo e de novo, crescendo sob esse ser que éramos há 5 minutos atrás.
É relevante aqui a gente perguntar, por que a gente não se inspira em nós mesmos? Nas coisas boas que temos e nos sonhos que criamos na nossa mente quando estamos livres da pressão da sociedade, da tv, da revista, do blog de moda.
Queria levar todos os meus conselhos e respostas que eu sei de cor, para dentro do meu coração. Devia ser mais difícil racionalizar tudo mas infelizmente, este é só o primeiro passo.
Eu sou fraca.(Suspirei profundamente para escrever essa frase.) Ela me marca fundo. É tudo que eu não quero ser. Mas às vezes, eu sou sim...e tudo bem.
Essa frase está ligada a intrínseca vontade de sofrer e não resolver nada.
AMARRA.A.PORRA.DO.CADARÇO.
Eu fiz muita coisa, enfiando o cadarço no sapato sem amarrar enquanto saia correndo. Só fiz, não pensei, não tive que movimentar uma força divina, um pensamento positivo único, meditar por 20 minutos, eu fui, fiz, ngm entendeu nada e ainda me admirou. Só que eu queria: AMARRAR A PORRA DO CADARÇO COM UM LINDO LAÇO E SEGUIR ADIANTE SABENDO DISSO. Não, eu não quero ter pressa.
Eu tô há 1 semana tentando evitar pensar no que realmente me importa, pensando em uma coisa que eu deveria só agradecer e desfrutar ao invés de questionar.
Meu sofrimento entrelaça sim com aa tristeza, mas ele é compulsório, ele me trava. Não há nada mais frustrante. Sou eu no escuro do meu quarto, sabendo onde eu deveria estar, o que eu deveria estar fazendo, imóvel olhando pro teto. Eu chego a gostar. Tento acreditar que sou eu, esperando meu tempo, esperando a minha coragem, só que, vez ou outra, não tem nada vindo.
Tenho um grande amigo que me diz sempre, que eu sou uma pessoa à beirada da pista de dança tomando água com gás. HAHAHAHA. É o cúmulo pra mim, que queria estar lá dançando loucamente.
Muitos anos da minha vida, eu culpei muitas pessoas pelo que sinto hoje. Mas a gente só tem o hoje pra fazer diferente. E a verdade, é que hoje, a culpa é minha. Eu me julgo mais do que qualquer pessoa e me saboto e me prendo.


Talvez estes pensamentos estejam confusos demais pra quem não tá na minha cabeça, mas eu juro, faz sentido. Eu amo viver, a sensação de estar viva e espero daqui há alguns anos reler estas palavras e saber que segui em frente, segui em frente, com a porra do sapato amarrado.










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